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domingo, 24 de junho de 2018

Diz que ...


    
Tenho saudades de olhar os teus lábios quando soltas aquele sorriso quase tímido, saudades de me olhares nos olhos e carência das palavras que nunca me disseste.
     Tenho saudades do que não tenho.
      Diz que me queres, que gostas de mim, diz que me amas e eu deixo que me descubras.
             
                      Dora Oliveira

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Beijo profundo



Meu aroma tem cheiro a chuva
ao cair na terra quente,
meu beijo sabor a uva,
licor doce e ardente.

Teus dedos entrelaçados
nos meus cabelos compridos;
corpos ancorados
em sonhos perdidos.

És,reticência,
existência no meu mundo,
compensa-me a tua ausência
com um beijo profundo.

                          Dora Oliveira

Atravesso o Tejo


Pensamento foge
para onde não quero ir,
atravesso o Tejo
vendo a noite cair.

Não vás barca,
faz marcha à ré;
a manhã tarda 
sem fé.

Não avisto farol,
minha boca desespera,
não nasce o sol,
nem vejo terra.

Não vás barca, que nestas 
águas não sei nadar,
quanto mais te afastas
mais receio naufragar.

Dora Oliveira

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Chamando por ele




Afastando os meus cabelos,
descobrindo os meus ombros,
aclamando os meus lábios
serrando-me os olhos.

Quente,quebro não resisto,
carente minha boca cede,
continuo e insisto
em tocar a sua pele.

Sonho tão real,
maleita sem cura,
nos meus olhos sal
na minha boca secura.

Doce beijo, delicado
como brisa na minha pele
e dou por mim acordada
chamando por ele.

                 Dora Oliveira


terça-feira, 19 de junho de 2018

Acaso

Talvez...mas por acaso.
Foi um acaso.
Mas sabes, os olhos que te veem ?
Eles têm vida.Uma vida inteira,uma espera constante.
Mas, nem breve brisa traz o tempo nem leva das horas a ausência 
de ti.

Dora Oliveira

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Doce amargura


      


  Sem nada de concreto, nasce o dia e sob este a ambiguidade.
         Em que lábios te perdes, que não os meus?
         Que caminho tomas, que não a minha pele?
         Por quem resplandecem os teus olhos?
         Para quem sorris?
         Doce amargura.

domingo, 17 de junho de 2018

Sublime madrugada



                       
Nasce,sublime madrugada
e deito-me em teu regaço;
ontem, noite de nada,
à espera de um abraço.

Abrem portas
a vontade e o anseio,
vibrato de cordas
com choro pelo meio.

Sede de o ouvir;
poesia de poucas rimas,
delineada ausência,
nossos corpos ,solidão.
De tanta carência
fazem coro as lágrimas
que caiem no chão.


              Dora Oliveira